O mundo é pequeno para o
tamanho da fauna humana. Algumas horas de voo e eu desembarquei em Dubai,
Emirados Árabes. Lá encontrei mulheres de burca, mulheres de véu. Africanas
lindíssimas com suas roupas coloridas e belíssimos turbantes. Japoneses,
chineses, árabes, muçulmanos, homens com duas esposas e eu, com certeza, para
eles, a mais estranha criatura, uma mulher sem véu, sem burca, viajando sozinha
desacompanhada de um homem. Quanta diferença em um mesmo planeta. Aqui na
Austrália, onde eu me encontro atualmente, a vida flui tranquila. As casas não
possuem cerca, para dizer a verdade não se chaveia a porta das casas nem a
noite para dormir. Chamou minha atenção pequenas tendas com objetos a venda ao
longo da estrada sem a presença de vendedores. Os objetos são colocados ali
pela manhã com o preço, para comprar é só deixar no lugar do objeto o dinheiro.
O comércio australiano fecha às 17 horas, mesmo em Sydney, a maior cidade australiana.
Às 18 horas o australiano está no Pub tomando cerveja, exceto os moradores de
Sydney, esses tomam Champagne. Aqueles que beberem demais, um ônibus os leva em
casa gratuitamente. O governo australiano paga ônibus especial para bêbados,
salário decente por anos, para mulheres com filhos pequenos que queiram se
dedicar somente a educação dos filhos. Às 21 horas o australiano vai para casa
dormir, bêbado ou não. A vida flui tranquila em meio a uma natureza exuberante.
Byron Bay, cidade onde eu me encontro atualmente, foi colonizada por antigos
hippies e, talvez, por isso, tenha se tornado uma sociedade alternativa.
Tarólogos atendem em livrarias, a medicina Ayurveda é forte por aqui, Reiki,
Naturopatia, Yoga, enfim... Mas o australiano cometeu o mesmo erro que o resto
do mundo, acabou com a cultura nativa. Em meu primeiro dia aqui na Austrália
encontrei um Aborígene. Ele estava embriagado, como muitos dos poucos
sobreviventes de sua raça. Não tem muito tempo que o governo australiano pediu
perdão para a “Stolen Generation”, geração roubada. Na colonização australiana,
quando uma mulher Aborígene ganhava um filho, ele era roubado da mãe pelos
colonizadores para que a mãe não ensinasse ao filho sua cultura. Essa geração
roubada foi maltrata e violentada até a década de 1980. Sobreviventes ao
massacre, Aborígenes andam sem rumo pelas ruas australianas. O velho mundo lhes
foi roubado e novo não lhes pertence. Eu estava em um Pub jantando com amigos e
um Aborígene entrou pedindo cigarro. Imediatamente me disseram que eu
permanecesse quieta caso ele tomasse minha bebida ou comesse minha comida. Os
australianos de hoje, por não saber o que fazer com a geração roubada, se calam
diante deles. Cada povo, por mais diferente que seja sua cultura, massacra seus
“índios” como sinal de desenvolvimento, e depois é só pedir perdão. Como se
fosse possível retirar uma bofetada dada. O Japão exterminou de forma cruel e
sangrenta seus honrados Samurais, e nós, estamos dando o golpe final em nossos
índios com a construção de Belo Monte. Mas é só pedir perdão daqui a alguns
anos. Não é mesmo?! Eu só não sei a quem o brasileiro pedirá o tal do perdão.
Provavelmente aos mortos.
28/11/2011
30/09/2011
A CASTRAÇÃO COMO ÚNICO RECURSO
No passado haviam os Eunucos, posteriormente, a Klu Klux Klan, instituição racista norte americana, castrava os negros para eles não se reproduzirem mais. Uma tentativa de extermínio da raça negra. Hitler matava Judeus com a mesma finalidade, o extermínio de uma raça. Tanto a Klu klux klan quanto os nazistas, se julgavam certos no que estavam fazendo. Acreditavam que o extermínio e a castração fossem um bem para a humanidade. Extremos, que estão a meu ver, incutidos no ser humano. Hoje castramos animais e já pensamos em castração química para pedófilos. Castração, castração e mais castração. Parece que isto está no seio do ser humano como único recurso e solução para...., não sei nem o que dizer para o quê. Solução para pretensos males, incômodos, solução para nos livrar do indesejado etc. Primeiro temos que pensar se castração é solução. É só colocar algo no facebook contra castração de animais e o mundo parece vir a baixo. Nazistas e exterminadores rapidamente saem do armário. Nos dias de hoje muita gente sai do armário. Pobres dos nossos irmãos menores, os animais, é claro. Isso nos diz que o problema é a soberba humana, nos julgamos no topo e de lá fazemos o que bem entendemos com aqueles que estão abaixo de nós, e nem se quer paramos para pensar. A soberba é tanta que nem nos permitimos refletir, e para piorar a situação apedrejamos quem propõe uma reflexão, pois este é o sentido da ética, uma reflexão sobre a moral vigente. A grande característica dos animais, segundo consta, é que eles não possuem racionalidade e por isso não pensam. Vocês já pensaram quantas pessoas possuem esta mesma característica? E por isso veem na castração o único recurso. Será que se nossos animais pudessem falar, eles pediriam para serem castrados? Ou será que nós, do topo do Olimpo, feito Zeus, decidimos impiedosamente o destino daqueles considerado por nós inferiores. Tudo com ética e em nome do bem é claro. Como se ética fosse um conjunto de leis e o bem uma decisão humana. Ética não é um conjunto de leis e nem toda decisão humana é um bem. É preciso lembrar que nem tudo que é bom faz bem e que atrás da face oculta do bem reside, muitas vezes, a essência do mal. Quanto mal a humanidade realizou em nome do bem. E isso tem que ter fim. Assim como a não aceitação de opinião diferente também tem que ter fim. Já dizia o filósofo: posso não concordar com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito que tens em dizê-lo. Um diálogo com respeito a diversidade de pensamento se faz necessário para que não se repita o erro do passado, onde ditadores se julgavam certos e, em nome do bem, cometeram atrocidades. O fato de hoje não castrarmos mais pessoas e sim animais, não diminui o problema, continuamos com a cultura da castração, só mudamos o alvo. No passado eram pessoas hoje são os animais. Só porque animal não é gente não quer dizer que gente não seja animal.
27/08/2011
UM ANJO SORRI PARA NÓS
Um dia acordamos neste
mundo, tão pequenos ainda, não sabíamos o que seria a vida. Em nosso pequeno
mundo não conseguíamos imaginar que a luta incessante pela vida mal estava por
começar. Encontramos, em nossa jornada, o descaso e a falta de respeito com o
ser humano. Vemos mortos no trânsito, idosos abandonados, filhos espancados,
crianças violentadas, pais separados, suicidas e drogados. Entre altos e baixos
a vida segue seu rumo até o dia que um anjo sorri para nós. Um poderoso ser de
luz que desliza sobre a terra, e em um rápido golpe nos tira a vida. O lindo
ser é o anjo da morte temido por todos. Ninguém ousou vencê-lo até hoje, e
cruel é a sua existência para aqueles pobres mortais que temem a única coisa
certa nesta vida, a morte. Assunto mórbido esse?! A morte é mais presente em
nossa existência do que se possa imaginar e o suicídio algo preocupante. O ser
humano não compreende o valor da vida, por isso se suicida. Às vezes,
lentamente, outras vezes, abruptamente. Comemos de mais, bebemos de mais,
trabalhamos muito e dormimos pouco. Haja coração para tudo isso! Pesquisa
realizada pela Organização Mundial da Saúde revela que quase um milhão de
pessoas se suicidam por ano no mundo. Morre mais pessoas pelo suicídio do que
em uma guerra. A pergunta que não quer calar é – o que realmente essas pessoas
queriam matar? O que realmente elas queriam pôr um fim? Possivelmente não fosse
a vida, mas sim as consequências de uma vida difícil. Dificuldades que muitas
vezes só existem na mente e não de fato, mas que geraram terrível sofrimento.
Os fantasmas da mente criam um embate com a realidade, e uma nova visão da vida
não é tão simples assim, pois nossa mente é de duplo gume, nos eleva pela
nobreza do raciocínio e nos destrói pela geração de conflitos. Em terapia, se
espera que de um conflito surja uma ideia criativa para os fantasmas da mente,
e com isso uma solução seja possível. Mas, entre todas as guerras, a mente é
capaz de travar a mais cruel e sangrenta das batalhas. As vítimas dessa luta
somos nós, e sobreviver a nós mesmos por vezes é tarefa difícil. O certo é que
entorno de UM MILHÃO de pessoas tiram suas próprias vidas por ano no mundo. O
que fez essas pessoas desistirem da vida? E há ainda a morte sentida na alma,
sentida por aqueles que viram o fim de um sonho, um filho perdido, um coração
partido ...
14/06/2011
O PODER DA MULHER
O povo brasileiro tem assistido com alegria e satisfação a ascensão de mulheres ao poder na área da política. Depositários da esperança e, sobretudo, da confiança em um governo disciplinado, organizado e honesto. Aos poucos as mulheres foram conquistando seu espaço em meio ao universo masculino. Em 1932 as mulheres adquiriram o direito ao voto. Em 1962 o estatuto da mulher casada conferiu alguma liberdade, como por exemplo, o direito de viajar sem autorização do marido. Em 1976, com a lei do divórcio, casamentos fracassados puderam ser desfeitos oficialmente, conferindo a mulher o direito de reconstruir sua vida a partir de sua vontade e não de uma vontade masculina. Um reconhecido esforço a militantes feministas, se faz necessário, que estiveram por trás de cada conquista. Se as mulheres de hoje vivem com respeito e igualdade social, é porque, no passado, houveram bravas guerreiras que destemidas lutaram por nós mulheres. Embora resquícios ainda hajam de um passado de submissão. Algumas décadas após a revolução feminista, não há dúvidas de que a mulher conquistou seu espaço como membro ativo na sociedade. Com a política não podia ser diferente, embora ainda sejam em menor número, a participação da mulher tem sido observada a cada nova eleição, isso se deve a capacidade de organização e de lutar pelos seus interesses, sem que para tanto tenham que iniciar uma guerra com sangrenta batalha. Mas foi nos anos 80, com a transição política, que a mulher brasileira voltou seu olhar para a política. Um campo restrito não só às mulheres, mas também para outros que como elas não se encontram entre a elite do poder brasileiro. A exclusão é exclusão política, onde grupos menos favorecidos pela sociedade são considerados incapazes para a liderança. As mulheres têm desmitificado esse pensamento de exclusão, pois mesmo sendo oprimidas se ergueram a partir da capacidade que possuem de se adaptar. Afinal, não é mais forte que sobrevive, mas sim o mais criativo, aquele que melhor sabe se adaptar as dificuldades da vida. E assim cada vez aumenta mais o número de mulheres em cargos que antes eram exclusivamente masculinos, construindo uma democracia dentro do Estado Nacional, cujo ápice se deu com a ascensão de mulheres ao poder político com tranquila naturalidade. Um Estado com mulheres perfeitamente adaptadas à nova ordem global. Eis o poder da mulher!
07/06/2011
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
A vida imita a arte.
Primeiro nos tornamos cyborg, a exemplo do homem de seis milhões de dólares.
Agora a vida recria o Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. Criamos o
Admirável mundo novo ao sacrificar o espírito em detrimento de um mundo
artificial movido pela técnica. O espírito é considerado, nesse caso, uma
realidade menor e por isso ele é tratado como algo secundário. Um Admirável
Mundo Novo que comete os mesmos erros do velho mundo. No passado eram os
escravos, hoje são as máquinas a substituí-los. No passado eram as conquistas
que insuflavam o homem. Por um pedaço de terra nova o conquistador vendia sua
alma. Hoje, o conquistador vende sua alma por dinheiro. A quem serve esta
civilização que se diz moderna? Ao deus Pluto, deus do dinheiro, que por ser
cego não vê aquém ele entrega suas bênçãos, se a honestos trabalhadores ou a
homens corruptos. O que se pode esperar de um deus que, segundo a mitologia,
Zeus cegara para castigar aos homens. Mas o homem do velho mundo e o homem do
mundo novo ainda querem a mesma coisa – felicidade. No novo mundo não tem mais
lugar para o ditador, para o medo e a tortura, não tem mais lugar para a dor e
o sofrimento. No admirável mundo novo, criado por Huxley, o Soma, uma droga sem
efeitos colaterais liberada pelo governo para dissipar a dúvida e insegurança,
mantém o povo sob controle, servidão e obediência. E assim, o povo feliz com o
Soma não questiona a realidade. As crianças, nesse novo mundo, aprendem sobre
sexualidade desde a mais tenra idade. No Admirável mundo novo criado por nós,
inspirados por Huxley, não haverá preconceito pela opção sexual de cada pessoa.
O governo emitirá uma cartilha incentivando ao homossexualismo, e assim
resolverá o problema do preconceito pela opção sexual sofrida injustamente por
algumas pessoas. No mundo novo todos serão iguais, sexualmente falando, todos
serão flex. Assim o estado cumpre com seu papel: manter o bem geral. E aqueles
que desejarem uma vida autêntica, serão tratados como selvagens que se recusam
ao adestramento. Huxley profetizou uma sociedade futurista condicionada
mentalmente por uma droga distribuída pelo governo, nesta sociedade não haveria
lugar para o questionamento, a ansiedade, a depressão e a infelicidade. Tudo
seria controlado quimicamente. Trata-se de ficção de uma mente engenhosa, resta
saber se a vida irá novamente imitar a arte.
27/04/2011
O PRIMEIRO SER ARTIFICIAL
Criamos o artificial a imagem e semelhança de uma perfeição que não possuímos.
Um idealismo, com certeza, que veio para suprir as falhas humanas. A
necessidade de criar uma vida artificial vem de longa data. No princípio eram
as trevas que reinavam sobre a terra. Não havia internet, celular, Facebook,
computador etc, somente trevas. E o homem então disse: faça-se a luz. E a luz
foi feita. O homem então separou a luz das trevas e criou a ideia de céu acima
da terra. O homem criou um céu perfeito com várias moradas para todos os
gostos. Não importa quão imperfeita seja a pessoa aqui na terra, ela ainda
assim irá para um céu perfeito, criado pelo homem imperfeito. Sobreveio a tarde
e a manhã, foi o primeiro dia da criação. No segundo dia o homem criou a ideia
de Deus, não a nossa imagem e semelhança, mas sim imortal e superior em
perfeição. Um Deus pai que já nasceu moderno, afinal, Ele cuida de seus filhos
sem o auxilia da mulher. No terceiro dia, o homem, ao observar sua criação,
percebeu que um Deus tão soberano, necessitava de leis perfeitas para julgar os
homens. Os homens criaram então mandamentos, leis, normas, regimentos,
constituições, leis perfeitas compatíveis com o Deus da perfeição. No
terceiro dia o homem percebeu que não era suficiente criar uma ideia de céu e
de Deus, começou então a criar a vida artificial na terra. Começou criando a
Inteligência Artificial. No quarto dia o homem percebeu que tal inteligência
era boa e resolveu unir-se a ela para ampliar seu poder, e com isso se parecer
um pouco com o Deus perfeito criado por ele. Tudo foi feito, segundo o homem,
com ética. Na vida artificial, o trabalho da ética é questionar a moral
artificial. No quinto dia o homem olhou à criação e percebeu que necessitava de
trabalhadores artificiais, criou então robôs e máquinas. E, é claro, criou o
computador para gerenciar as máquinas. Uma vez criado os trabalhadores
artificiais, o homem percebeu que poderia ser feliz, não vamos pensar em uma
felicidade natural, é claro, isso seria demais. Unido a inteligência
artificial, no sexto dia, o homem criou o SOMA. Uma espécie de remédio para
acabar com o sofrimento humano. Drogas do prazer, da alegria, anestésicos,
analgésicos, ansiolíticos, enfim! No sétimo dia o homem contemplou sua obra e
viu que tudo era bom, tomou um comprimido para dormir e só então pode descansar
em paz.
06/04/2011
A FORÇA DA NATUREZA PLANETÁRIA
Uma usina nuclear causa
menos danos ambientais do que uma usina hidrelétrica, dizem especialistas no
assunto. A Suíça e Alemanha suspenderam a construção de novas usinas nucleares,
já o Brasil pretende até 2030 construir mais quatro novas usinas nucleares. Tem
quem afirme que é um exagero comparar o acidente nuclear em Fukushima com o
acidente em Chernobyl, visto que a tecnologia atual é bem mais desenvolvida do
que na época do acidente em Chernobyl. Exagero ou não, vários são os países que
possuem esse tipo de usina, e tudo o que se tem de certeza é que enquanto elas
estiverem sob controle humano, não há porque nos preocuparmos com elas. O
problema não são as usinas nucleares em si, mas sim a incontrolável força da
natureza. O homem é tão pequeno diante da grandeza planetária que do céu nós
nem somos vistos. Do céu, tudo o que se vê é um planeta azul. O planeta azul
devora seus filhos assim como os filhos devoraram o planeta. Não tivemos
piedade da natureza planetária, porque ela teria piedade de nós. Tememos a
força da natureza, mas a natureza não nos teme. Não somos fortes o suficiente
para enfrentar seu potencial irracional. Nós somos razão, ela é vontade e
poder. O homem mais poderoso do mundo nada mais é diante da força da natureza.
Como controlar o incontrolável? Encontramos aqui uma justificativa
suficientemente plausível para repensar a construção de novas usinas nucleares.
Porque nem tudo está sob nosso controle. E o dia que a natureza rebelde e
incontrolável resolver agir sem pedir permissão, a catástrofe será certa. Por
isso o risco de um acidente nuclear é maior do que se possa imaginar.
Analisando as conquistas humanas, podemos perceber que a tecnologia tem se
desenvolvido a passos largos nas últimas décadas. As vitórias, nos mais
variados campos científicos, são incontestáveis. No entanto, devemos nossas
conquistas não a tecnologia, mas sim a uma natureza originária que possibilitou
o desenvolvimento da vida humana sobre o planeta. Na observação da natureza
reside o berço da filosofia, da medicina, da ciência etc. A natureza é
incontrolável porque a criatura não pode dominar seu criador. Se uma usina
nuclear causa pouco dano ao ambiente, o ambiente pode causar muito dano a uma
usina nuclear. Como seria, aqui no Brasil, se acontecesse um acidente nuclear?
Ou será que o Brasil está imune as forças da natureza?
03/04/2011
TEMPO DE DESPERTAR
A natureza do tempo é igual a qualquer outra
natureza rebelde e devastadora, caso não seja controlada. Pensando bem, talvez,
na natureza do tempo estejam contidas todas as demais naturezas, inclusive a
brevidade da vida, pois os anos de vida transcorrem rápidos, velozes, e quando
nos damos de conta, a vida se foi. Não seria melhor cuidar do tempo como quem
cuida de um bem. Se as pessoas fizessem um balanço de sua existência e vissem
quanto tempo gastam em disputas de poder, quanto tempo perdido com brigas,
quanto tempo perderam falando mal de alguém e cuidando da vida alheia, quanto
tempo foi gasto com ódio e ira, ou, chorando por um amor não correspondido. ―
Quanto tempo perdido! Veriam então que pouco tempo sobrou para a felicidade. O
lamentável de tudo isso é que muitas pessoas somente se darão de conta disso,
quando já não houver mais verdadeiramente tempo, quando o relógio da vida tiver
encontrado seu fim. Cronos, cujo nome na mitologia grega significa tempo,
engolia seus filhos para que pudesse reinar absoluto sobre a face da terra.
Como bons filhos de Cronos que somos, estamos todos presos ao tempo até que o
anjo da morte, Hades, nos sequestre. Cronos, o tempo, e, Hades, o anjo da
morte, dois poderosos Titãs, governam majestosamente a vida sobre este planeta.
Passamos a vida no ventre do tempo para um dia sermos sequestrados,
abruptamente e quando menos esperamos, por ele, o senhor da morte. Mas não
vamos nos preocupar, afinal, há tempo para tudo ─ tempo para nascer, tempo para
crescer, tempo para amar e tempo para despertar. Embora a morte nos cause
assombro, quem sabe, a pior morte seja aquela que acontece sem que nos demos de
conta. A pior morte é a vida vazia e inútil. Lembro-me agora de Aristóteles:
“ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas; bom, o que escuta os
conselhos dos homens judiciosos. Mas o que por si não pensa, nem acolhe a
sabedoria alheia, esse é, em verdade, um homem inteiramente inútil”. Se você é
uma daquelas raras pessoas que vivem suas vidas intensamente, creio que sua
escolha foi a de enfrentar os problemas de frente, sem mascarar ou camuflar as
dificuldades, sem drogas e sem Prozac. Não paralisou sua vida e nem tornou ela
tediosa. Não se tornou um problema para si mesmo e nem para outras pessoas. Por
certo, você abandonou velhos costumes e aderiu ao novo. Deu um novo ritmo a sua
existência na medida em que deslizou por ela adquirindo conhecimento.
Compreenda que foi para isso que você veio ao mundo, e não somente para nascer,
crescer, reproduzir e morrer. Faça sua vida valer a pena de ser vivida, faça a
diferença entre os mortos vivos que andam por aí. Não se torne somente um número,
um CPF ou um RG a mais neste planeta. VIVA!
22/03/2011
SIM, NÓS PODEMOS
Nós podemos sim, podemos
ser o que quisermos ser, é só fazer a escolha certa, mas primeiro precisamos
saber aonde queremos chegar. Não se vai a lugar nenhum sem primeiro decidir
aonde se quer chegar. O brasileiro é um povo trabalhador, a maioria honesta por
natureza, alguns, corruptos por opção. São assim, mas poderiam ser diferentes.
Já sabemos, pela nossa presidenta, que o crescimento do Brasil perpassa a
educação. Através da educação, indivíduos dão autonomia a sua consciência e ao
seu pensar, sabem que são os sujeitos da ação, são eles autores de sua
história. A educação transforma o indivíduo que se constitui em ação
transformadora de outros indivíduos. Oscar Wilde em seu ensaio A decadência da
mentira, diz que a vida deve imitar a arte e não a arte imitar a vida. Quando a
vida imita a arte, ela se reinventa, tornando-se criadora de si mesma, porque o
artista é assim, o inventor de sua arte. O artista aqui é cada um de nós, autor
e intérprete de nossa própria história, que traça seu caminho e é o dono do seu
destino. O processo de educação deve ser constante em nossa existência, pois a
educação abre novos espaços, amplia horizontes, dá ao indivíduo liberdade
diante do mundo. Sim, nós podemos! Talvez, a lição mais importante do
ex-presidente Lula ao povo brasileiro, seja o exemplo de que é possível vencer
a despeito de toda adversidade. Lição esta que também está implícita em nossa
atual presidenta, uma mulher que desde muito cedo mostrou sua força ao lutar
contra a ditadura. Ditadores estão sendo destituídos do seu poder pelo mundo a
fora. O Brasil, talvez seja melhor dizer o brasileiro, livrou-se da ditadura,
um mal atroz, e desde então acordou feito um gigante adormecido, gigante pela
própria natureza. O presidente norte americano, Barack Obama, veio atrás deste
gigante, pois, por certo, percebeu sua potência. Não vamos nos enganar, não foi
por causa da beleza de nossas montanhas e mar que ele veio, não foi pelo verde
de nossas matas, foi pela riqueza da nação de um povo alegre e trabalhador, de
belíssimas e poderosas mulheres. O brasileiro, ao se livrar dos ditadores, deu
condição a mulher de desenvolvimento pessoal que, por sua vez, de posse da
liberdade, serviu de exemplo a seus filhos que hoje circulam não mais como
exilados, mas sim como cidadãos do mundo.
21/01/2011
A MEDICINA NO DIVÃ
A medicina, ao longo dos séculos, saiu das catacumbas onde eram
encontrados os cadáveres, e passou para um status de poder e soberania, apoiada
por almas sofridas e carentes de um alívio para a dor e o sofrimento causado
pelas doenças, pestes etc. Humildes depositários da esperança. Mas a separação
feita por Descartes, no passado da humanidade, entre mente e corpo, conferiu ao
médico um ar de frieza. Pessoas passaram a serem tratadas como se máquinas fossem, cheias de peças, um ser sem alma. Mas esse tempo passou, e uma medicina
mais humana tem substituído a desumanidade do passado. Embora, muitos sejam os
relatos de pessoas atendidas nos dias de hoje por médicos que ainda não se
deram de conta que o mundo mudou, e a indiferença está sendo substituída pela
consciência humana. Consciência significa ter ciência de algo. Ter ciência é saber
sobre alguma coisa, em outras palavras é saber que sabemos alguma coisa, por isso estamos na era da sabedoria e a ciência cada vez
aumenta mais o seu saber. Segundo Max Scheler, não nascemos humanos, mas sim nos tornamos
humanos. Isso nos faz crer que o humano é uma construção onde a educação se faz
presente. Educar jovens e velhos médicos para lidar com o humano e não somente com os saberes da medicina deve ser algo
constante nas escolas de medicina. Só assim pessoas, gente, seres humanos,
serão tratados com o respeito que lhes é devido. Todos sabemos sobre o caos da
saúde pública. Por isso, cada vez mais aumenta o número de pessoas que procuram
a segurança dos planos de saúde, e com isso os setores de convênios e atendimento
particular em clínicas e hospitais, estão se tornando um SUS com ar
condicionado. A saúde pública precisa se tratar, mas o tratamento tem que receber o aval do governo que está mais doente do que a própria medicina.
Para constatar o fato, basta permanecer por algum tempo em uma emergência hospitalar.
Hospitais abarrotados de pessoas, crianças, idosos, a procura do “poder da
cura”, que está nas mãos de um sistema doente. O sistema de saúde no Brasil tem uma longa caminhada pela frente até encontrar o ponto da cura. Por hora, trata-se de um depósito de doentes. Há muita
ciência para ser desvendada, não somente sobre o corpo físico carregado por
nós, mas sobre o ser humano que habita este corpo. Afinal, somos maiores do que
nosso próprio corpo, somos seres dotados de inegável inteligência, que sofre e sente dor, com possibilidade de uma consciência maior do que seu limitado corpo.
05/01/2011
UMA TRISTE REALIDADE
Um único final de semana mata mais gente que uma guerra mataria. A
invasão do morro do Alemão, no Rio de Janeiro, não matou tanta gente quanto o
trânsito matou no feriado de final de ano. O trânsito não dá oportunidade de
fuga, ele mata, e mata esmigalhando pessoas, sejam elas adultas, velhos ou
crianças. Uma guerra sangrenta onde raros são aqueles que saem ilesos. O grande
problema ainda não é o excessivo número de carros, esse é o problema dos
engarrafamentos, estamos aqui falando de irresponsabilidade. O problema está naqueles
que possuem a síndrome de Zeus, e se julgarem “o todo poderoso”, pensam que
podem tudo. Bebem, se drogam, aliás, o que tem de fumante de Maconha na praia,
o cheiro da Maconha polui o ar marinho diariamente e o dia inteiro. Cá entre
nós, será que os maconheiros não se tocam que tem pessoas que não querem
conviver com o forte perfume exalado pela Maconha. Passei uns dias nas praias
de Santa Catarina e voltei me considerando uma fumante passiva de Maconha
(fumantes passivos são aquelas pessoas que não fumam, mas convivem com o
fumante). A Maconha rola solta nas praias. Que responsabilidade tem essas
pessoas que dirigem até o litoral para beber e se drogar? O Brasil produz o
equivalente a uma cidade de mutilados do trânsito quase que diariamente. Para
piorar a situação, aqueles que possuem a síndrome de Zeus, não obedecem às leis.
Aristóteles dizia: ”ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas;
bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos. Mas o que por si não
pensa, nem acolhe a sabedoria alheia, esse é, em verdade, um homem inteiramente
inútil”. A questão que se impõe é ─ como fazer inúteis cumprir alguma lei.
Quando o condutor de um veículo passa no sinal vermelho, bebe ou se droga e
dirige, abusa da velocidade etc, ele o faz por se julgar exceção a lei. Tal
criatura não passa de um inútil que não aprende nada por si e nem ouve aos
outros. Porque para quem quer aprender, os jornais divulgam quase que
diariamente a triste estatística da cruel mortalidade no trânsito ─ Uma
verdadeira carnificina ─ A irresponsabilidade de alguns custam vidas e mais
vidas diariamente. Vidas que são ceifadas pelas mãos de “anjos da morte”. O
lamentável da história é que a situação está para piorar, pois aumenta a cada
ano o número de carros, de motos, de drogados, de irresponsáveis, e, sobretudo,
de inúteis.
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