Não é sobre como fazer e sim se vale a pena fazer. Quantas vezes nos percebemos diante de
um projeto de vida e nos pergunta como é possível realizar o projeto, se temos
dinheiro e tempo para investir. Além dessas perguntas também é necessário se
perguntar se vale a pena o investimento, qual retorno que o projeto pode nos
trazer. Não adianta querer vender freezer no polo norte, existem ambientes
invalidantes para determinados projetos, por isso alguns projetos já nascem
falidos. Não se observou onde se queria chegar, se valia a pena o investimento
e qual é a nossa motivação para se levar o projeto adiante. Pensando como Coaching,
nem todos podem tudo naturalmente. Por isso é preciso avaliar a pessoa que tem
um projeto e ver se ela possui habilidades desenvolvidas para levar o projeto
adiante. Isso justifica o trabalho de um Coaching, no desenvolvimento de certas
habilidades e competências do empresário, mas também no desenvolvimento do projeto, cuidando
do empresário e também do projeto. O projeto tem que ter viabilidade, retorno
financeiro e emocional, e a pessoa que vai desenvolver o projeto tem que ter certas
habilidades desenvolvidas. A abordagem do projeto tem que estar focada e
alinhada estrategicamente à empresa. A
gestão do projeto tem que centralizar responsabilidades e coordenar o início do
processo. Assim temos que planejar, executar, controlar e finalizar o projeto dentro
dos objetivos propostos. Definir bem o processo, ter clareza dos objetivos,
focar nas metas, e saber onde especificamente se quer chegar, é fundamental
dentro do gerenciamento do projeto. Melhor ainda, que os resultados sejam
avaliados dentro de medidas estabelecidas claramente. E assim, o Coaching em
gerenciamentos de projetos não só desenvolve habilidades no empresário, mas também
alinha suas habilidades no desenvolvimento de projetos bem sucedidos. Um
alinhamento metodológico, estratégico, focado nos objetivos e com integração de
todas as áreas envolvidas. Outra habilidade fundamental em um projeto é a
gestão de recursos. Sobre isso falaremos em outro artigo. Se o projeto não
segue certos passos, não somente dentro da racionalidade, mas também da
motivação e entusiasmo, então ele não justifica o investimento. Nesse caso,
trata-se de uma ideia a mais sem razão e sem motivo para ser levado adiante,
esse é o caso onde a razão toma o seu lugar. É racional que um projeto mal elaborado não tenha investimento algum. Não te parece lógico?
16/07/2018
UM ARTIGO SEM TÍTULO
Eliani Gracez
Estou
aqui quase tendo um treco, vocês entendem “treco”? Ou será que tenho que
procurar em um dicionário, montar um Power point, me aconselhar com um
especialista em linguística, em português, em etimologia e que tenha pós-doutorado
para que “treco” seja então compreendido? Vocês nunca tiveram a vontade de
torcer o pescoço de alguém?, ou será que sempre levaram uma vida kantiana,
regrada, levantando sempre cedo, dormindo cedo e marcando hora para fazer sexo? Nesse caso, o sexo não é movido pela vontade e sim
pela agenda. Vocês não tem noção de quantas pessoas fazem isso, marcam dia e
hora até para isso. Lembro que
tem alguns anos em um encontro de teoria do conhecimento na PUC-rs, uma
professora norte americana que veio para o encontro me explicava que até quando
ela escovava os dentes ela seguia um cronograma. Olha que eu me considero organizada,
criei filhos, estudei, trabalhei, mantive a casa organizada, não perdi nenhum
filho para as drogas, mas, confesso, eu só não tive um treco na frente daquela
professora em respeito a sua obra, e, também, porque os brasileiros tratam bem
aos estrangeiros. Podemos até maltratar o nosso povo, mas somos receptivos
quando se trata de estrangeiros. Certo, confesso, gosto muito de ética,
inclusive o meu trabalhos de conclusão em Psicanálise foi em ética, mas
considero insuportável, reflexões sem fim que nos levam a lugar nenhum. Entendo
por ética uma reflexão acerca da moral e não a moral em si. Mas tudo tem que
ser avaliado a partir de uma ética? Um pouco de intuição e de irracionalidade
pode facilitar a vida e nos levar a uma vida boa. Eu disse um pouco! Pessoas
excessivamente organizadas tem medo do quê? De errar, de sofrer, de não serem
bons o suficiente, de serem falíveis. Albert Einstein perguntava, se uma mesa
cheia é sinal de mente desordenada, uma mesa vazia é sinal de quê? A essa
altura vocês estão se perguntando por que estou quase tendo um treco? Não
aguento mais ouvir falar em ética. Será que pessoas éticas são tão éticas assim
como parecem ser? O que é que uma pessoa INFALIVELMENTE ética esconde? Nada pode ser pior, segundo Platão, do que parecer
ser sem ser. Algo você esconde, e isso que você esconde é irracional, por isso
esconde. Muito bem, antes que eu tenha um treco, dá para mudar de assunto?
13/07/2018
FELIZ ANIVERSÁRIO
Eliani Gracez
A criança em mim ainda está viva. Lembro que na minha
infância eu esperava ansiosa pelo meu aniversário. Pois bem, é amanhã, 14 de
julho. Estou ansiosa para ler todas as mensagens de felicitações que irei
receber. Infantilidade? Será? Ou será que dentro de mim ainda habita uma
criança que a fase adulta não conseguiu matar? Prefiro pensar que a criança, a
mulher e a anciã cohabitam em charmosa harmonia e delicada sutileza. A criança
carrega a inocência original que jamais deve ser perdida. Em meio a tanta teoria,
tentativas de justificar o injustificado e necessidade de acabar com o
irracional, que acabamos nos perdendo em meio a tudo isso. A inocência é
irracional, e pouca coisa é tão bela quanto a inocência da criança. A mente
violenta a criança. Justamente na fase onde o raciocínio lógico começa a ter
força, é quando a criança começa a adolescência, e a inocente criança descobre
que o mundo não é tão inocente como lhe parecia ser, embora algumas crianças
descobrem isso bem antes. Mas, na medida do possível, alguma inocência deve ser
preservada para que não se mate a criança interior e toda beleza da inocência
morra. Assim o caminho fica menos sofrido, ou, mais fácil de ser percorrido.
Embora, as dificuldades do caminho aconteçam quando se erra o caminho e se é
obrigado a percorrer até o fim um caminho desagradável. Por isso não erre na
escolha e mantenha alguma inocência, e a caminhada será agradável. Por outro
lado, está entre as minhas crenças que todos que estão nesse planeta são
aqueles que erraram o caminho e causaram violência à inocência. Quem já errou
uma vez e não compreende a causa do sofrimento que está em percorrer o caminho
errado, corre o risco de errar novamente. No entanto, as escolhas devem ser
feitas em paz, faz tua escolha em paz e lembra que para cada sim existe um não,
e não confunde as coisas. A escolha é se tu estás preparado para o não que vais dar, e não para o sim que é tão fácil de escolher. Estávamos mesmo falando
do quê? Há...sim...do meu aniversário! Feliz aniversário criança.
09/07/2018
SÍNDROME DO PENSAMENTO ACELERADO
Eliani Gracez
A Síndrome
do Pensamento Acelerado é uma hiper construção do pensamento, uma excessiva
atividade mental impedindo e limitando a inteligência e a capacidade de
raciocinar e ponderar a respeito de uma situação. Os portadores dessa síndrome
tendem a impor suas ideias “goela à baixo” de outras pessoas, não possuem
resiliência e muito menos se colocam no lugar do outro. Uma excessiva atividade cerebral fruto da
ansiedade, muitas vezes, de se impor, e da pressa em justificar seus erros e,
por tanto, da necessidade em provar suas verdades. Pessoas assim são rápidas em
responder, porém, de pouca convicção. Crenças limitantes também estão
relacionadas à Síndrome do Pensamento Acelerado. O problema desta síndrome está
relacionado com a quantidade e a velocidade de pensamentos. Essa síndrome é
mais comum em pessoas que vivem sob pressão ou em estado de constante alerta.
Pessoas assim tendem a estar mais conectadas a internet para não perder nada do
que está acontecendo no mundo real, alimentando suas mentes incessantemente,
sem nem mesmo ruminar, como diria Nietzsche. Por isso, a qualidade do
pensamento fica prejudicada. O portador da síndrome pode ter dificuldade para
dormir, irritabilidade, intolerância ao ser contrariado. Evite excesso de
informações, não se torne escravo da tecnologia e nem de sua mente, sobretudo,
cuidado com a competição predatória. O exagero de informação causa um acúmulo
inconsciente na memória RAM (Registro Automático da Memória), causando
hiperatividade cerebral. A paranoia em ser o número um, destrói relações e
transforma a pessoa em um escravo do seu pensamento. Uma pessoa com Síndrome do
Pensamento Acelerado tem mais dificuldades em lidar com suas perdas e
administrar suas decepções e refletir sobre suas falhas. Pessoas com essa
síndrome acreditam estarem sempre certas, não se permitindo a oportunidade de
parar e refletir sobre os seus erros, para piorar a situação, pessoas assim se
valem rapidamente da mente para justificar seus erros, achando que errar é
humano, ou, como diria Sartre, que o errado é sempre o outro. A mente é rápida
em achar justificativas. A mente, assim como a vida emocional, tornaram-se um
fast-food, onde o prazer é gerado pela quantidade e não pela qualidade. No
campo do pensamento tudo está dado nos livros, é só consultar o cardápio,
perdão, o índice. E assim existem milhões de teorias prontas para servir a
mente. O cardápio é grande, e a autenticidade é zero!
30/06/2018
ÉTICA E A FELICIDADE
Eliani Gracez
Okay, tenho que admitir, perdi para os racionalistas. Na
juventude eu só queria salvar o planeta e achava que o amor e confiança entre
as pessoas seria o caminho. Santa inocência! Anos depois, confesso, muitos anos
depois, eu me vejo ainda como aquela inocente criaturinha que queria mudar o
planeta com amor e confiança entre as pessoas. O problema não são os inocentes,
o problema são aqueles que violentam os inocentes. Viajei algumas vezes para a Austrália, um pais de primeiro mundo, só perdendo
em qualidade de vida para a Suíça, no entanto, o que chama a atenção é que a
Austrália, em uma medida da felicidade, está muito abaixo do esperado. Os australianos
são organizados de forma que nada falte para uma boa vida. Uma mulher, depois
de ganhar nenê, o estado paga para ela ficar em casa só cuidando do filho por
alguns anos. Eu disse por alguns anos, e eu não me equivoquei ao escrever. Mas
então, por que em uma medida da felicidade o australiano fica tão abaixo do
esperado? Embora a sociedade seja estruturada com bases éticas, igualdade
social e financeira, onde o trabalhador mais simples e o trabalhador mais
graduado, ganham quase a mesma coisa, ainda assim o australiano não é feliz. A
felicidade não está tão somente em conceber racionalmente a vida, embora, a
concepção racional faça parte. A felicidade está em uma plenitude que a razão,
com suas limitações, não consegue alcançar. O estado deve se organizar de forma
ética, garantindo liberdade, igualdade e uma vida digna de um ser humano. Mas,
nas relações interpessoais devem ser levadas em consideração não somente a
ética, mas também as coisas do coração. Um equilíbrio entre razão e emoção. Um
equilíbrio entre aquilo que o Estado pode nos dar em termos de organização
social e as nossas subjetividades. A vida tem que ser organizada externamente,
mas também internamente. Organizar a vida interna com suas subjetividade como
se ela fosse um país de primeiro mundo, levando em consideração tão somente a
razão, não é garantia de felicidade.
03/06/2018
A ESPERANÇA
Eliani Gracez
A
esperança não teve um lugar de destaque na tradição filosófica, raros foram os filósofos
que falaram em algo que se possa remeter a esperança, e os poucos que falaram
sobre o assunto o fizeram de forma subjetiva. Por isso, fundamentar
racionalmente a existência ou a importância da esperança, é uma tarefa
considerada não muito fácil, embora não seja ela impossível. Nos primórdios da
filosofia existiam crenças em mitos, um deles era de que as Moiras traçavam o
destino dos homens, até mesmo os deuses estavam sujeitos ao destino traçado por
elas, e no destino não havia lugar para esperança. Nem mesmo Aristóteles, em
sua Ética a Nicômaco, que tratou das virtudes, nada falou sobre esperança.
Possivelmente Aristóteles não tenha considerado a esperança como sendo uma
virtude, e talvez não seja mesmo. Os antigos textos gregos que falam sobre
esperança estão ligados à religião e culto aos mistérios de Eleusis e culto aos
mortos. O hino homérico para a Deusa Deméter cultuada em Eleusis e que perdeu
sua filha sacerdotisa para Hades, o Deus da morte, fala da purificação pelos
rituais sagrados e a esperança de ter uma sorte melhor no mundo dos mortos.
Nesse caso, a esperança está na morte e não na vida. Com o cristianismo a
esperança ganhou status de virtude, virtude esta que os filósofos não deram a
ela. A “virtude” da esperança, para os fiéis, é a força motriz para a salvação
na vida eterna. A fé sustenta a esperança na salvação após a morte, isso
pressupõe que não haja salvação em vida. Nesse caso, a vida está perdida e só
existe esperança na morte. Para conseguir a salvação após a morte é preciso
sacrificar a vida atual, e regras morais rígidas devem ser cumpridas, e aqueles
que vivem intensamente, ou buscam a vida na vida, são vistos como imorais e
perderão a vida eterna. Tanto os mistérios de Eleusis como o cristianismo nos
levam a ter esperança após a morte de uma vida plena de felicidade, tornando a
vida carnal ou material uma pulsão de morte. Também é preciso lembrar que Buda
dizia que não existe felicidade fora do Nirvana. Esse discurso de uma vida
melhor somente após a morte nos leva a querer a morte e a ver a morte como
solução para essa vida. Só morrendo é que seremos felizes. Tal pensamento
aniquila com a vida e nos leva a esperar somente a morte. Esperança não é
esperar, esperança é caminhar, esperança é movimento, esperança é ir atrás dos
sonhos e acreditar que eles são possíveis de se realizar. A esperança, nesse
caso, é uma força que sustenta a vontade de caminhar e de ir adiante. Segundo a
psicanálise, a esperança é uma das forças motrizes que sustenta o desejo de
continuar vivendo. O desejo conduz ao prazer e não ao desprazer. Buscamos o
prazer para que não se tenha uma vida de desprazeres. Mas o cristianismo e até
mesmo alguns filósofos tentam tirar do caminhante até mesmo seu desejo em
caminhar, nesse caso, cortar os pulsos torna-se inevitável. O que algumas
religiões e filosofias e o próprio Buda tentam fazer é o mesmo que alguns
remédios para doenças psíquicas fazem, deixam a pessoa sem vontade, sem desejo,
sem vida autêntica. Não quero nesse
momento negar a importância dos fármacos. Mas quem já trabalhou em um manicômio
sabe como os remédios agem, tiram a voracidade e a libido da pessoa, tiram a
vontade e o desejo. Esse é o sonho de muitas religiões: uma vida sem libido, sem
desejo e sem vontade. Em contra partida, a pessoa não sofre, mas também não
vive. Tudo isso por temer o sofrimento. Felicidade e sofrimento são dois lados
da mesma moeda. Se a felicidade é passageira, também o sofrimento é passageiro.
Se a felicidade é passageira isso significa que podemos perdê-la a qualquer
momento. O medo da perda leva muitos a afastar a felicidade, o prazer, o desejo
e a vontade, e assim não se perde o que não se tem. Somente quem é feliz pode
perder a felicidade. Encontrar a paixão pelo que é possível talvez seja uma boa
sabedoria. Sem paixão não há esperanças, ou, como dizia Roberto Freire, sem
tesão não há solução. Mas existe um pensador que fala que o passado não pode
ser definido como “um nunca mais”, porque o passado não perde a força de um dia
ter sido algo. O passado está presente naquilo que somos agora. Temos então um
passado-presente. Dessa dialética entre o passado e o presente nasce o que “está
por vi” e que já está no presente como projeto de um futuro, assim como o
passado está no presente, o presente estará no futuro. Há no presente algo que já estava no passado e,
nesse sentido, há a esperança naquilo que “está por vir”, e entre o que eu sou
e o que posso ser ou vir-a-ser, reside um conflito existencial. Assim o homem
aceita ou recusa o projeto existencial que o define como um ser aí no mundo. Ou
assume o projeto ou se perde na desesperança de uma vida inautêntica e a pulsão
de morte torna-se inevitável, e, nesse caso, somente a religião pode ajudar,
dando esperança em dias melhores após a morte, onde a autenticidade da vida
perde a sua potência para a esperança em uma vida melhor no pós-morte. Nesse
caso, o homem se transforma em um ser para a morte, ou, algo que não mais “pode
ser”, em oposição ao “vir a ser” que nos fala de uma vida autêntica e repleta
de força vital. Quando o homem não se vê como um projeto que está em
desenvolvimento, seja por medo do “de vir” ou por outros motivos, seu ser, sua
vontade, seus desejos, deixam de se manifestar, permanecendo na vida o
desprazer de viver. Eis aqui a pulsão de morte e a pulsão de vida descrita por
Freud. Na clínica analítica, o analista leva a pessoa que está em pulsão de
morte para a pulsão de vida. Levando ela a ver que existe um projeto de vida
que está no presente, e que existe vida que flui e pulsa em seus desejos, em
sua vontade, em sua libido... O ser é um ser de vontade, por isso, abrir mão da
vontade é abrir mão de nós mesmos, ou do ser que carregamos e que trouxe seu
corpo a este mundo. Afinal, somos um ser em experiência corpórea. Ou trazemos
nosso ser para o mundo e nos afirmamos como um ser de vontade, e na vontade
está o nosso poder, ou então assumimos nossa falência e passamos a viver a
morte em vida e tentamos de novo na próxima. Minha visão é de vida na vida e
não de viver a morte em vida. Somos seres para a vida. Somos seres de vontade
no mundo, embora alguns tragam a morte para a vida, mas isso não cabe no meu
conceito de vida.
02/06/2018
DA RETÓRICA À VERDADE
A
Retórica é o uso da linguagem para argumentar de forma persuasiva. A Retórica formou
oradores, políticos, advogados, filósofos e escritores que defendem sua razão,
paixão e crenças. A Retórica tem sua origem por volta do século V antes de
Cristo, com o sofista Górgeas, Protágoras, Empédocles, Sócrates entre outros. Na
antiga Grécia, os sofistas eram contratados para defender acusados de algum
crime ou de um roubo ou coisas do tipo. Embora a relação dos sofistas com a verdade fosse outra, um bom discurso ou uma boa retórica pode não ter nada a ver
com a verdade. Nos dias de hoje, quando dizemos que uma pessoa tem “boa
Retóriaca”, embora o termo pareça redundante, mas o fato é que ele é usual, ou,
que o discurso de alguém é retórico, estamos dizendo que o discurso não tem
nada a ver com a verdade. Em termos de psicanálise, uma Retórica pode ser usada
para esconder uma verdade. Nesse momento eu sempre me pergunto, o que a pessoa
está escondendo atrás de um belo discurso decorado?! Em muitos casos, pela
Retórica vê-se aquilo que o retor quer ocultar. A verdade pode estar
inversamente proporcional ao discurso. Mas isso já é uma questão de lógica, lógica
esta tão estudada quanto a Retórica para se obter um bom discurso. Para ocultar
uma verdade uma lógica deve permear o discurso, onde uma argumentação leva a
outra argumentação com conceitos bem explicitados. Muitos confundem lógica com
verdade, e ainda dizem: tem lógica, ou, faz sentido, esquecendo-se de que a
falsidade ou a mentira também contém lógica e raciocínio, assim como contém inteligência
na maldade. Portanto, só porque contém lógica e inteligência, e muitas vezes a
lógica da Retórica é a própria inteligência, não quer dizer que seja um bem.
Não vamos confundir bem com bom. Afinal, nem tudo que é bom faz bem. Por isso existe divergência entre os filósofos
sobre se os sofistas são ou não são filósofos. Seja como for, a Retórica é
fundamental para comunicar uma sabedoria. E assim a Retórica não é boa nem má, depende
da índole de quem a usa, depende dos objetivos que uma pessoa de boa ou má índole
quer alcançar. Um bom exemplo disso é Hitler que encantou pessoas com um
discurso forte acompanhado de gestos de quem já venceu. Me contem, venceu o quê?
Licença poética a parte, entre os medievais a Retórica passou a fazer parte das
artes liberais ou Trivium, estudos sobre lógica, gramática e retórica, e mais
tarde a Retórica passou a ser usada também no discurso escrito.
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