Segundo
a alegoria da caverna de Platão, existem homens prisioneiros em uma
caverna, acorrentados pelos pés e pelo pescoço. O olhar dos
prisioneiros está voltado para uma parede que fica no fundo da
caverna. Atrás dos acorrentados tem um muro e homens carregam
figuras, atrás do muro tem um fogo. Pessoas e objetos passam atrás
do muro, e por causa da luz do fogo, projeta imagens na parede onde
estão voltados os olhares dos prisioneiros. Prisioneiros
acorrentados só veem sombras da realidade, e não a realidade em si.
Convido você, que está lendo este texto agora, a pensar junto
comigo sobre a alegoria da caverna de Platão. Imaginemos que nós
somos os prisioneiros da caverna e que as sombras alimentam os nossos
cinco sentidos. Segundo Schopenhauer, os sentidos fazem uma coleta de
dados para o nosso entendimento formar uma representação dos
objetos. Nosso entendimento usa dos sentidos para o conhecimento
imediato. A partir dessa coleta de dados, os prisioneiros pensam
entender a realidade, ou, como diz Schopenhauer, a representar os
objetos. Mas é com a carência de entendimento que acontece a
“estupidez”, mediante a incapacidade de reunir causa e efeito.
Falta, nesse caso, argúcia, rapidez, dificuldade no uso da lei de
causa e efeito. Mas deixemos Schopenhauer de lado e voltemos a nossa
caverna, visto que o objeto do nosso estudo, especificamente, são as
sombras projetadas no fundo da caverna, e a influência delas em nós.
A sombra é um vulto, é ausência de luz, no caso da alegoria da
caverna, a sombra é uma projeção obscura da realidade, um vulto da
realidade. Desse vulto os prisioneiros alimentam seus sentidos que
levam material para o entendimento, que em um próximo passo, formam
representações e conceitos a partir de uma “visão” distorcida
que conduz ao erro, ao preconceito, a uma ética que não visa ao bem
coletivo e nem a felicidade. O prisioneiro da caverna forma um
conteúdo interior a partir das sombras que ele vê, e ama seu
“saber”. Por isso é tão difícil sair da caverna. O prisioneiro
ama uma ilusão acreditando ser a única realidade existente. Desse
amor ao “saber” surgem a fé e a crença. Como o prisioneiro da
caverna não vê a realidade, ele ama uma sombra. Mas, a pergunta
que não quer calar é: seria esse amor verdadeiro? Se pensarmos que
a sombra é o não ser e a luz o ser, na sombra reside aquilo que não
é o amor, reside o “não amor”, nesse caso, o amor vem do
oposto, vem da luz, vem do ser. Na alegoria platônica fica claro que
sombra e luz são dois opostos. A sombra está na frente do
prisioneiro, no fundo da caverna. Já o fogo que ilumina está no
oposto, nas costas do prisioneiro. Na caverna os prisioneiros se
apegam as sombras e pensam ser amor verdadeiro. Confundem amor com
apego. O amor é libertador, o apego aprisionador (aprisionar+dor).
Os prisioneiros da caverna precisam se apegar a alguma coisa para
conseguir sobreviver, do contrário eles teriam que admitir o nada
interior, eles teriam que admitir a própria ignorância, o desafeto,
a angústia etc. Teriam que admitir que seu conteúdo interior é
formado por tudo que não é luz. Os prisioneiros da caverna vivem o
desprazer e não o prazer, origem de algumas neuroses. Pobres
criaturas! Prisioneiros não vivem e sim sobrevivem, afinal, o
conceito de vida não inclui prisão e sim libertação. Os
prisioneiros nem mesmo se dão de conta de sua prisão, não se dão
de conta de que seus conteúdos foram formados a partir de sombras
daquilo que poderia ter sido e não foi. Numa relação de causa e
efeito os prisioneiros não ligam a sombra com o fogo. Falta de
argúcia, diria Schopenhauer, afinal, sem a luz do fogo não poderia
haver projeção da sombra no fundo da caverna. Por mais perfeita que
seja a visão, para que um homem veja, é preciso que haja a luz
(Platão).
04/05/2018
03/02/2018
SONHOS - Eliani Gracez
A raça humana
passa 1/3 de sua existência dormindo, e ao dormir, sobrevêm os sonhos. Algumas
pessoas sonham eventualmente, outras sonham com mais frequência, outros ainda
pensam não sonhar. O fato é que o interesse pelo sonho vem de longa data. Há
mais ou menos 4 mil anos os egípcios acreditavam que os sonhos fossem mensagens
divinas. Daquela época até os dias de hoje, muitas teorias e pesquisas sugiram.
Cientista, filósofos e psicanalistas destinaram um tempo de suas pesquisas aos
sonhos. Neste artigo, vamos estudar algumas dessas pesquisas, inclusive aquelas
teorias que afirmam a essência divina dos sonhos.
Dormir não é
somente um privilégio humano, os animais também precisam dormir. Se o sono não
fosse algo importante ele já teria sido eliminado, pois durante o sono os
animais ficam mais vulneráveis a ataques de predadores. Entre os humanos, a
quantidade de sono varia de pessoa para pessoa, uns acordam revigorados com
cinco ou seis horas de sono, outros precisam dormir por mais tempo. Enquanto
dormimos os processos metabólicos continuam, dormir não é uma parada do coração
e nem do cérebro, muito menos uma parada respiratória. No processo do sono
músculos se movem de vinte a quarenta vezes, pois a pessoa se movimenta
enquanto dorme.
A glândula
pineal, que o filósofo francês René Descartes (1596-1650) considerava a morada
da alma, e os hindus, a sede de um dos chacras mais importantes do corpo, também
é ela que produz o hormônio do sono chamado de Melatonina. Com o fim do dia e a
redução da luz a melatonina passa a ser liberada, trazendo o sono. Um dos
motivos da falta de sono é a baixa produção de melatonina.
Durante o sono
o cérebro continua ativo. Nas últimas décadas exames foram realizados com
aparelhos de eletroencefalograma que registram ondas cerebrais durante as horas
de sono e de vigília, mas uma das grandes descobertas foi em 1951, pelo pós-graduado
em psicologia Eugene Aserinsky, o chamado sonho REM (Rapid Eye
Moviment/Movimento rápido dos olhos). A fase REM do sono é aquela onde se
observam movimentos nos olhos. Nesta fase, os sonhos são mais vívidos. A fase
REM do sono tem atividade cerebral similar à fase em que se está acordado.
Em 1959,
William Dement fez um experimento de privação de sono com o locutor de rádio
Peter Tripp. O locutor ficaria acordado por 200 horas. Nos primeiros dias o
locutor manteve sua lucidez, mas logo vieram alucinações, e cinco dias depois
ficou seriamente perturbado, chegando a ver o terno de alguém de sua equipe
cheio de vermes, acusando outra pessoa de ser o coveiro que viera medi-lo para
fazer seu caixão. Com o fim da experiência, o locutor dormiu e recuperou a
sanidade, permanecendo por semanas com a sensação de depressão.
Existe uma
nítida ligação entre o sono e a depressão. Dormir bem ajuda pessoas com depressão
a ter uma melhor qualidade de vida, e a falta do sono a ter uma recaída na
depressão. Pacientes com depressão, em sua maioria, relatam algum distúrbio do
sono. O sono é importante para a saúde física e mental. Estabelecer bons hábitos
de sono é fundamental, sobretudo, para quem sofre de depressão ou bipolaridade.
No entanto, normalmente, o sono é a primeira coisa que sacrificamos quando
estamos estressados ou sobrecarregados de serviço. Durante o sono existem
várias fases distintas, incluindo alterações nos batimentos cardíacos,
movimentos musculares e muito mais. Um processo inconsciente que dura a noite
toda. Dormir mal ou ter poucas horas de sono, como também dormir
excessivamente, pode afetar a saúde física e mental, por isso autorize-se a
dormir adequadamente.
Segundo Eddie
Van Feu, sonhar pode ser o produto mental do mesmo tipo de processo psicológico
que se percebe nas enfermidades mentais. A diferença é que o sonho se dá quando
dormimos. De alguma forma, enquanto dormimos, somos delirantes e dementes.
O sonho é mais
importante para a psicanálise do que o sono em si. Ao dormir, vem o sono leve e
os pensamentos podem ficar descoordenados. Sobrevém o sono intermediário onde
pode haver experiências sensoriais irreais e pequenos tremores repentinos no
corpo. Então vem o momento do sono mais profundo ainda, onde a pessoa fica
aleia aos movimentos ao seu redor. E por fim, no último estágio vem o sono mais
profundo onde pode haver o sonambulismo, algumas pessoas nesse estágio falam
enquanto dormem. No sono REM, onde ocorre ativação do sistema límbico do
cérebro, movimentos primitivos acontecem, é onde, segundo Freud, ocorre a
regressão que leva aos estados primitivos da infância. O sonho parece estar
além da linguagem conhecida por nós, isso porque desconhecemos muitos dos
simbolismos que se apresentam em sonhos. No entanto, em uma avaliação mais
detalhada, é possível perceber que o significado está no cotidiano ou na vida
pregressa do sonhador. Uma paciente certa vez teve o seguinte sonho: sonhou que
uma pessoa que ela gostava estava sendo ameaçada por um bandido. Ela não
compreendeu o sonho e nem sabia quem eram aquelas pessoas que apareciam no
sonho, mas estava preocupada com as ameaças feitas. Quando perguntei à ela quem
era a pessoa que ela gostava na vira real, após um breve silêncio ela resposta
que era o namorado. Quando perguntei
quem era a pessoa que ameaçava o namorado ou o namoro, ela respondeu que era um
ex namorado que insistia em voltar a namorá-la. Aquilo que a princípio carecia
de entendimento, tornou-se claro em uma análise da vida cotidiana da analisanda
e da pergunta certa, ou, assertiva. O sonho precisa ser interpretado a luz do
conteúdo interno de cada sonhador. Somente o sonhador pode dar significado ao
seu próprio sonho ao trazer o sonho para sua própria linguagem, símbolos e
signos. Em muitos casos é o sentido daquilo que sonhamos que deve ser
analisado. No sonho citado anteriormente, o sentido está no medo das ameaças. A
analisanda se sentia ameaçada pelo ex namorado que desejava reatar o namoro. Para
Freud, o sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente. A interpretação de
símbolos, a partir do conteúdo do sonhador, é fundamental para compreender a
natureza humana. Em um sonho é possível saber como o sonhador lida com as
forças malignas ou sombrias, para então entender como a pessoa desperta lida
com a adversidade, oposição de ideias etc. Carl Yung, discípulo de Freud,
acrescenta algo importante aos sonhos que ele chamou de eventos psíquicos. Um
exemplo desse tipo de sonho é uma criança que sonhou que anjos estavam levando
seu irmão, quando acordou o irmão havia falecido.
Com o fenômeno
dos sonhos surgiu no passado da humanidade o conceito de alma humana que agia
no mundo dos sonhos. Na antiguidade, alguns povos pensavam que os sonhos
possuíam um significado. Pessoas como os profetas e sacerdotes traduziam as
mensagens contidas nos sonhos. Hipócrates, médico grego (460-377 a.C.), escreveu
no Tratado sobre os sonhos: “Alguns sonhos são de inspiração divina, outros são
frutos do corpo físico”. Hipócrates acreditava que nos sonhos era possível
prever doenças. Segundo ele, se em um sonho os astros são vistos fracamente, ou
brilham fracamente e parecem ter parado de girar, isso é sinal de doença.
Hipócrates vai mais adiante, a cor preta em sonho é sinal de doença física,
sonhos de voo indicam perturbação mental. No Egito antigo, temos a famosa
interpretação dos sonhos de José (Gênesis, antigo testamento). São vários
sonhos interpretados por José, e outros sonhos que o próprio José sonhou e que
se tornaram realidade. Um dos sonhos interpretados por José foi o sonho em que
o faraó viu sete espigas de milho subindo de uma mesma haste granada e bela, mas
eis que sete outras espigas de milho pequenas e queimadas nasciam atrás delas,
e as sete espigas pequenas e queimadas devoravam as sete espigas granadas e
belas. José disse ao faraó ser um aviso que a região teria sete anos de fartura
, e depois viriam sete anos de miséria. Acreditando na interpretação de José, o
faraó deu a José a tarefa de armazenar um quinto de todo o grão que fosse
colhido no período de fartura. Passados sete anos de fartura sobrevieram os sete
anos de escassez, como José havia interpretado. Conta na Ilíada de Homero que enquanto Aquiles
dormia o fantasma de seu amigo Pátroclo apareceu para ele dando instruções
sobre seu funeral. A Bíblia conta que em
sonho José recebeu orientação sobre a gravidez de Maria: “José, não temas
receber Maria como tua esposa, porque o que nela está gerado vem do Espírito
Santo” (Mat 1:20). Também a gravidez do
Buda Siddhartha Gautama, foi revelada à sua mãe em sonho, e Maomé recebeu de
Alá a primeira parte do Corão em sonho. Pela manhã Maomé interpretava seus
sonhos e o sonho dos seus discípulos.
O filósofo francês René Descartes (1596-1650)
era um exímio sonhador, em 10 de novembro de 1619, Descartes teve três sonhos. Os
dois primeiros cheios de aparições, vendaval e trovões que ele interpretou como
sendo representações das consequências de seus pecados. No terceiro sonho ele
recebia um dicionário e um livro de poesia. Descartes interpretou o dicionário
como sendo a ciência, e o livro de poesia como sendo a filosofia. O filósofo
Frances acreditava que ele tinha sido visitado pelo espírito da verdade. A
romancista inglesa Charlotte Brontë (1816-1855) dizia que quando tinha
dificuldades com seu texto ela se concentrava nele antes de dormir e acordava
com o problema resolvido. Napoleão Bonaparte (1769-1821) não desprezava as
ideias que vinham em sonho, ao acordar ele experimentava as táticas oníricas
com miniaturas em uma caixa de areia.
Encontramos
nos sonhos uma forma pela qual o inconsciente se expressa, um acesso ao mundo
da realidade de nossa não consciência, ou, inconsciência, ou, não sabedoria.
Com + ciência = consciência, mas, onde está aquilo que ainda não sabemos e que
de um momento para o outro passamos a
ter ciência? Se passamos a ter ciência é porque já estava pronto para ser
acessado em algum lugar no nosso mundo interior, esperando ser trazido a
consciência para ser estudado e analisado. Reza a lenda que do caos surge a ordem. A
própria bíblia diz que no principio só existiam as trevas. Seriam essas “trevas”
o nosso inconsciente caótico onde contem aquilo que será trazido a ordem e que
ainda não sabemos. Um filósofo antigo dizia que nós não sabemos nem mesmo o
quanto não sabemos. Bons sonhos!
27/08/2017
OS INDESEJÁVEIS
Eliani Gracez
– Coach, Psicanalista e Filósofa clínica
Inspirado em Claudio Mello Wagner, “indesejáveis
até que ponto?” A sociedade cria pessoas "indesejáveis" e depois as
exclui. O desejo inicial é de que essas pessoas não existissem, por isso, a
sociedade finge que elas não existem. Os “indesejáveis” são dependentes
químicos, esquizofrênicos, doentes mentais, moradores de rua etc. Ameaçada, a
sociedade aumenta a repressão para manter os “indesejáveis” o mais longe
possível. Cria-se então a indústria da segurança: grades, alarmes, portaria 24
horas. A sociedade trata como se a solução fosse manter os indesejáveis o mais
longe possível. Essa é a saída encontrada pela sociedade. No entanto, saída não
é solução. Saída é paliativo, a solução está em deixar de produzir “indesejáveis”,
e parar de produzir “indesejáveis” é ir ao mundo do outro para ver o que tem
lá, para isso, temos que enfrentar os nossos medos e limites. Temos que
enfrentar a falência social e moral. Temos que ir ao vale da morte onde o outro
se encontra marginalizado social e culturalmente. Cada sociedade ou organização
social produz regras, leis, estatutos, e deseja que seus indivíduos concordem
com isso. Aqueles que não se enquadram tornam-se “indesejáveis” e, portanto, um
problema social. Assim são eliminados os subversivos ou aqueles que ultrapassam
a legalidade. A sociedade trata os “indesejáveis” como se fossem doentes, no
entanto, o doente é a sociedade que produz seres humanos que não se enquadram
dentro das normas e depois os exclui como se fossem lixo ou coisa descartável.
Cada pessoa tem uma singularidade que tem que ser incluída na coletividade.
Espera-se uma simbiose perfeita desta união, o problema, nesse caso, está no
esperado, visto que nem sempre a singularidade de cada pessoa se enquadra no
ideal social. O problema agora é o que fazer com os “indesejáveis”, mas,
sobretudo, o que fazer com aqueles que indesejam os indesejáveis.
09/08/2017
O inconsciente e o simbólico - Eliani Gracez Nedel
Na busca pelo autoconhecimento iniciamos um
processo de comunicação com o nosso conteúdo inconsciente. Para
conhecermos a nós mesmo é preciso entrar em contato com nosso inconsciente que
é vasto, subjetivo, ilimitado e simbólico, enquanto nosso consciente é limitado
e objetivo. O consciente não controla o nosso comportamento, pois mesmo
nossas ações conscientes em muito resultam do inconsciente. O inconsciente é a
região da psique constituída por desejos, paixões, pulsões, libido,
recalcamentos e simbolismo. Com paciência e disposição muitos elementos do
nosso mundo interior vêm a luz da consciência. No entanto nem sempre isso se dá
de forma objetiva, em muitos casos o conteúdo inconsciente vem através de
sonhos. Um conteúdo muitas vezes simbólico que permeia nosso sonho. Ao dormir
entramos em contato com o inconsciente que é irracional. Por isso, na maioria
das vezes, nossos sonhos são desprovidos de racionalidade, e uma tentativa de
interpretação do sonho com a mente, que é limitada, tornam-se infrutíferos. O
conteúdo inconsciente possui uma amplitude muito maior do que a consciência. A
psique é constituída por elementos oriundos de várias fontes: família, cultura,
etnia. Em última instância elementos inconscientes da espécie humana. Formando
assim o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo. Comum ouvirmos de
pessoas que existe uma autenticidade em seu pensamento ou jeito de ser. Em uma
análise mais profunda é possível identificar uma herança cultural, hábitos
adquiridos pelo lugar ou sociedade em que ela foi criada e que moldaram o seu
modo se ser. Caindo nesse caso, em um
senso comum e não crítico. Devido a inconsciência da real formação do psiquismo
a maioria das pessoas, senão a totalidade delas, não sabem nem mesmo aquilo que
elas não sabem. Tornando-se verdadeiros desconhecidos para elas mesmas. Nessa
concepção revela-se o senso comum que está enquadrada a maioria das pessoas,
contrapostos a um inconsciente que possui uma estrutura imagética, arquetípica,
simbólica, instintiva e impulsiva, ou, automática. A consciência opera pelo
raciocínio causal e lógico, o inconsciente opera de forma irracional, ele está
além daquilo que pode ser compreendido pelos limites da mente. O consciente
está em nós por meio da lógica e pensamento analítico, e o inconsciente pode
ser encontrado por analogia, encontrado nos sonhos, nas fantasias e no
pensamento mítico.
17/07/2017
Duas Massas Artificiais: A Igreja e o Exército
Eliani Gracez Nedel
Podemos distinguir tipos de massas (psicologia social ou de grupo) diferentes em sua formação e orientação. Massas duradoras e massas fugazes, massas
constituídas por indivíduos semelhantes e massas constituídas por indivíduos
não semelhantes, massas naturais e massas artificiais, massas primitivas,
massas altamente organizadas. Nossa investigação volta seu olhar para as massas
artificiais: igreja e exército. A igreja e o exército são massas artificiais
porque empregam certa ação coercitiva externa para não se diluir e nem modificar
sua estrutura. Normalmente as pessoas não são consultadas se desejam entrar em
uma massa dessas, não existe livre arbítrio. Essas massas através de ações
coercitivas estão protegidas pela desagregação. Tanto na igreja quanto no
Exército encontra-se a ilusão de que existe um chefe que ama a todos. Na igreja
católica há o Cristo, no Exército, o general, que ama a todos na massa com
igualdade. Sem esse princípio coercitivo tanto a igreja quanto o Exército se
desintegrariam. Na igreja o amor a Cristo, no Exército o amor a pátria. A
relação dessas duas massas com o indivíduo crente se dá de forma paternal. Na
igreja existe uma linha democrática porque todos são iguais diante do Cristo.
Com razão a igreja se assemelha a uma família unida como irmãos em Cristo. Algo
semelhante acontece com o Exército onde um general ama a todos os seus soldados
do mesmo modo. Uma hierarquia muito semelhante formou-se tanto na igreja quanto
no Exército. Toda religião é uma religião de amor para aqueles que a seguem,
mas tende a intolerância para aqueles que não pertencem a essa massa moralmente
organizada.
As neuroses de guerra, reconhecido
como protestos do indivíduo contra o papel que lhe era atribuído no Exército e
contra a desumana situação da guerra estão entre os motivos do adoecer. Nessas
duas massas artificiais o indivíduo encontra-se ligado libidinosamente ao líder
e aos demais indivíduos da massa. Existe uma ligação libidinosa no Exército com
relação ao pânico que surge quando a massa se desagrega. O exército que sucumbe
ao pânico pode ter suportado perigos incalculáveis. O indivíduo que tomado pelo
medo cuidar de si mesmo denota ter
cessado as ligações afetivas. Agora enfrenta o perigo sozinho, e com isso
existe um afrouxamento nas estruturas libidinosas da massa. Essas observações
são para o caso de grande perigo e real. A desagregação de uma massa religiosa
não é comum de acontecer.
A
identificação
A identificação é
conhecida como a manifestação mais precoce entre as ligações emocionais. Ela está
na pré-história do complexo de Édipo. O menininho se identifica com o pai, quer
se tornar como o pai, ele gostaria de tomar o lugar do pai em todos os
aspectos. E assim o complexo de Édipo ajuda a preparar a criança.
Simultaneamente, esse menininho começou a fazer um investimento objetal da mãe.
Ele mostra duas ligações: um investimento sexual de objeto com a mãe, e com
relação ao pai uma identificação de modelo a ser seguido. A identificação é
ambivalente desde o início, o menininho percebe que seu pai bloqueia o acesso
junto a mãe, a identificação assume uma posição hostil e se torna idêntica ao
desejo de substituir o pai junto a mãe. Nessa ambivalência a criança pode
voltar sua identificação para a ternura como para um processo de eliminação. Nesse
sentido, a identificação é a forma de ligação com o emocional mais antiga que
existe, mesmo que seja para o recalcamento de mecanismos inconscientes. Muitas
vezes o eu toma para si as qualidades do objeto, em muitos casos o eu toma as
qualidades da pessoa não amada, podendo também tomar para si as qualidades da
pessoa amada que se transforma em objeto. Nesse sentido, a identificação é a
forma mais antiga de ligação entre o objeto e as emoções. Pela identificação
acontece a introjeção do objeto no eu que forma uma emoção objetal libidinosa. Também
acontece a identificação não objetal, esse tipo de identificação forma-se
quando pessoas possuem características em comum.
Outro exemplo de introjeção do objeto
se dá na perda do objeto amado, causando autodepreciação do eu e melancolia. Na
introjeção dá-se a consciência moral do eu ou autocrítica. Pouco a pouco a
criança vai introjetando regras de comportamento moral que ela retira do meio
ambiente em que vive, sobretudo na autoridade dos pais. A diferença entre
identificação do eu com o objeto e idealização do eu para com o objeto
encontram-se no estudo de duas massas: a Igreja cristã e o Exército. No
Exército o soldado toma o seu comandante como ideal enquanto se identifica com
aqueles que são iguais a si, dessa comunhão de eus derivam as obrigações da
camaradagem e divisão de bens. Na igreja Católica as coisas são diferentes, a
igreja exige que cada cristão se identifique com Cristo e ame os outros
cristãos como cristo amou, o objeto nesse caso é o amor. A igreja exige um amor
objetal e ideal. Com isso ela une o objeto ao seu ideal através da
identificação com o Cristo. Esse avanço libidinal da Igreja Católica baseia sua
pretensão em ter uma moral mais elevada.
11/07/2017
Psicologia de Massa - Eliani Gracez Nedel
A oposição entre psicologia individual (Eu) e
psicologia social (das massa) aponta o ponto onde o individuo abre mão do se Eu
para adotar uma moral social ou de massa. A psicologia individual está
orientada para a singularidade do caminho pelo qual o indivíduo percorre na
busca da satisfação de seus impulsos para chegar ao prazer. Muitas vezes, nessa
busca pela satisfação o outro é esquecido. Ao levar em consideração a
influencia do outro no aparelho psíquico do indivíduo a análise passa a ser
social. Nesse sentido, o psiquismo individual também passa a ser um psiquismo
social, onde a moral de um passa a influenciar a moral do outro.
A interação social do indivíduo com os pais,
professores, amigos, interação profissional ou com a pessoa amada, tornaram-se
assuntos de investigação psicanalítica como fenômeno social opondo-se ao narcisismo
cuja satisfação dos desejos não sofre a influência de outras pessoas. A
psicologia das massas trata a pessoa como integrante de uma tribo, uma casta,
uma classe, instituição ou como pertencente a um grupo de pessoas que em um
determinado momento se organizam como massa, levados por um impulso social,
quem sabe, já encontrado na família. Afinal, o que é uma massa e como ela
influencia a vida psíquica do indivíduo? A massa adquire uma alma coletiva, um
pensamento coletivo que da coesão a massa. A massa torna-se assim um ser
constituído por várias partes heterogêneas que se ligam entre si. Na massa a
singularidade do indivíduo desaparece, o heterogêneo desaparece no homogêneo. A
estrutura que se desenvolveu no indivíduo desaparece, tornando-se visível o
inconsciente. Na massa o individuo adquire o sentimento de poder que lhe
permite entregar-se aos instintos. Na massa o indivíduo mostra o inconsciente
que contém tudo que é de malvado ou animalesco no ser humano. Como por exemplo,
o desaparecimento da consciência moral ou do sentimento de responsabilidade. A
consciência moral é formada pelo medo social. Na massa o medo social é diluído
no todo, sem o medo social perde-se a consciência moral. Portanto, no núcleo da
consciência moral está o medo. Na multidão também é possível observar que os
sentimentos são contagiosos, levando muitas vezes o indivíduo a abrir mão de
seus interesses em detrimento de interesses coletivos. Mediante procedimentos variados,
e depois de ter perdido a inteira consciência de si, um ser humano obedece às
sugestões da massa, equiparado a uma hipnose. Em outro ponto de vista o
indivíduo que em seu isolamento pode ser uma pessoa culta, educada e tranquila,
na massa perde a racionalidade tornando-se mais instintivo e voraz, tornando-se
mais agressivo. Em meio a tudo isso, na massa o indivíduo encontra o entusiasmo
que na solidão nem sempre é possível de ser encontrado, um ânimo onde uma
pessoa impulsiona o outro.
Outras observações da psique de massa são a
inibição da capacidade intelectual e a intensificação da afetividade. A
afetividade ainda pode ser intensificada pela sensação de poder. A massa
inteira é portadora da autoridade temida pelas demais pessoas. Por isso torna-se
perigoso ir contra a massa. Um exemplo disso é a igreja católica no período
medieval. A igreja constituiu-se uma massa organizada que devorava quem a ela
fizesse oposição. Também é possível observar que em alguns casos a moral
individual seja exacerbada e a massa impõe rigidez moral, esse é o caso das
religiões. Um indivíduo em uma massa, pela influência desta, experimenta
modificação intensa em seu psiquismo. Sua afetividade aumenta enquanto sua
capacidade intelectual torna-se limitada. Isso acontece para que o indivíduo
possa se nivelar aos demais integrantes da massa. Para atingir esse nivelamento
o indivíduo suprime seus impulsos e suas inclinações. Os princípios éticos da
massa ou de um grupo podem ser mais elevados do que os princípios éticos dos
indivíduos que compõe a massa. Na massa a moralidade ganha força, enquanto a
vontade individual se perde em meio ao poder moral da massa.
Sobre
os lideres de um grupo, assim que uma massa se forma ela se torna um rebanho
que se coloca sob o controle de um chefe. Um grupo é um
rebanho que obedece ao seu senhor. O chefe tem que ser possuidor de prestígio
que fascina a massa. E assim o prestígio une as pessoas em uma massa. Todo
prestígio se perde em caso de fracasso. A passagem de uma psicologia individual
para uma psicologia de massa onde o indivíduo se submete a moral da massa
abrindo mão de seus anseios constitui-se em fonte de muito estudo por parte de
sociólogos, antropólogos, psicanalistas entre outros. Freud aponta alguns
motivos em seu artigo Psicologia das massas e análise do Eu. Cada indivíduo
pode ter seus motivos que o levam a preferir se esconder em uma massa a ter que
lutar contra ela e viver autoafirmado em seu Eu.
09/07/2017
Análise do Eu em Freud - Eliani Gracez Nedel
A moral constituída ao longo do tempo
interfere diretamente no principio de prazer, alterando o aparelho psíquico e reprimindo o prazer, com isso o indivíduo cai no desprazer, tornando-se uma
bomba prestes a explodir a qualquer momento. A noção de “Eu” em Freud pode ser
entendida a partir de sua teoria do funcionamento mental. Do ponto de vista da teoria freudiana, os processos mentais são
regulados pelo princípio de prazer. Esse princípio decide o propósito de vida. Freud comparou o funcionamento da mente humana
com uma ameba.
“Freud comparou o funcionamento da mente, o mais
complicado órgão, com o funcionamento do mais simples organismo, a ameba. A
vida é mantida através da admissão num organismo da matéria estranha, mas útil,
e da descarga da sua própria, mas perniciosa matéria. Admissão e descarga são
os mais fundamentais processos de qualquer organismo vivo. A mente, que também
faz parte de um organismo vivo, não constitui exceção a essa regra: realiza a
adaptação e o progresso mediante o emprego, ao longo de toda sua existência,
dos processos fundamentais de projeção e introjeção. As experiências de
introduzir alguma coisa no Eu e de expelir alguma coisa do Eu são eventos
psíquicos de primeira grandeza”. (HEIMANN, 1969, p. 143)
Freud entendeu que os processos mentais são regulados pelo princípio de
prazer. A mente, nesse caso, regula a quantidade de excitação nesse aparelho.
A isso Freud nomeou de pulsão. A pulsão,
na busca pela supressão, precisa de um objeto. E assim temos um limite entre o
psiquismo e o somático. O corpo como objeto das pulsões. Encontramos aqui o ponto onde tudo converge
para a repressão. O moralismo na forma com que a criança é criada, religião,
influências do lugar onde vivemos etc, tendem a negar as pulsões no corpo,
muitas vezes tratando como pecado, falha de caráter, desajuste social, uma descarga
pulsional. São exemplos de descargas pulsionais a sexualidade, a dança, o
cigarro entre outros.
O aparelho mental tem
importante papel na formação do Eu, ele distingue o mundo interior do mundo
exterior, ou seja, ele distingue a subjetividade da objetividade. No entanto o
Eu não é somente constituído pela subjetividade e nem tão somente pela
objetividade, existe mais do que isso no aparelho psíquico.
Segundo Freud, o ser
humano possui um inconsciente onde estão contidas nossas frustrações, medos,
angústias, emoções aprisionadas que ainda não foram trazidas a luz da
consciência. Para Freud o inconsciente governa nossa respiração, digestão e
batidas do coração. Segundo Freud não somos senhores de nós mesmos, não nos
autoafirmamos na consciência, mas sim naquilo que é inconsciente. Sem falar,
que a civilização exige sacrifícios. A civilização é o que diferencia o homem
dos animais. Ele afirma que o homem valoriza mais o que o outro tem e menos o
que realmente é importante em sua vida, e assim vive o homem em busca de
riqueza, poder e sucesso. Já a cultura causa um mal estar nos homens, e este
paga o preço da renúncia da satisfação pulsional. Freud também afirma que a
religião é uma busca por amparo.
Olhando uma cena comum
em um parque, é possível ver crianças que se lançam do alto de brinquedos nos
braços de seus pais. A certeza do amparo e da mão firme e da confiança em seu
pai dá a segurança para a criança. E assim ela se lança confiante, e o braço
forte do pai a ampara. No entanto, nem todos receberam o amparo necessário na
infância para se tornarem adultos seguros de suas decisões. O desamparo pode
gerar insegurança pela vida a fora. Não foram todos que tiveram o braço firme e
o olhar amoroso que dá a segurança de sermos amados, ou uma estrutura familiar
e os cuidados da mãe. Quantos não tiveram isso?! Pelo contrário, tiveram o
olhar de quem sabia que a punição viria. Quantos cresceram sem amparo. E a
insegurança hoje toma conta de pessoas que nem se deram de conta do seu desamparo.
A fragilidade humana começa quando nascemos, pois o nenê necessita ser amparado
e ser cuidado. E com isso começa a dependência na formação de cada pessoa.
Portanto, a posição natural do ser humano é de desamparo, e precisa do amparo
para sobreviver. Precisa do cuidado do outro. Para Nietzsche (1844-1900), o
homem é uma corda estendida entre o animal e o super-homem, uma corda sobre o
abismo. O caminho do homem passa pelo abismo! Isso nos diz que o caminho é
inseguro e perigoso. Nietzsche anuncia a morte de Deus, e assim o homem fica
desamparado até mesmo daquilo que lhe é sagrado, Deus. Para Freud, é no
desamparo que as religiões encontram seu lugar. Um porto seguro, uma mão
invisível, uma moral que garanta estar fazendo a coisa certa, uma fé, uma crença
em algo, uma certeza mesmo que ilusória, um pai protetor.
A vida psíquica é
constituída pelo id, super ego e ego. O id é o que está no insciente de uma
pessoa. São os instintos, desejos, impulsos e libido. O id é a estrutura de
pensamento original e básica. As leis da lógica não se aplicam ao id, por isso
estão contidos nele os impulsos irracionais que não estão a luz da consciência.
Se o id é aquilo que está no inconsciente, o ego é o que está em contato com a
realidade externa, é uma parte do id que se desenvolveu ao entrar em contado
com a realidade e por isso se tornou aparente. Uma das funções do ego é
estabelecer uma conexão entre a percepção sensorial e a ação muscular. Os
acontecimentos internos pertencem ao id, mas cabe ao ego satisfazer os
instintos ou suprimi-los. O ego é a parte executiva da consciência. O ego é
quem dá vazão aos impulsos oriundos do id, e assim o ego se origina do id e o
superego se origina do ego. É o superego quem a partir da moral, tradição,
costumes, religião etc., emite um julgamento, ideais e metas. O superego é que
decide o que está certo ou errado. A infância e o conceito de infantil, sempre
estiveram presentes na obra de Freud. A infância é um período de tempo na vida
de uma pessoa, já o infantil é atemporal. A psicanálise valoriza não somente as
recordações da infância, mas também a infância esquecida. O infantil remete ao
conceito de recalque, pulsão e inconsciente. Em linhas gerais, a meta
fundamental da psique é maximizar o prazer e minimizar o desprazer, retendo ou
trazendo a consciência dados do inconsciente. Freud, desde o início de sua
carreira, desenvolveu um determinismo que o levou a encontrar a causa das
neuroses. Para tanto, passou toda sua vida debruçada sobre a alma dos
neuróticos. A psicanálise, tem sido, desde então, uma busca pelas causas
ulteriores para o comportamento e angústia do ser humano, uma busca por
compreender a si mesmo e o outro, e com isso adquirir um equilíbrio psíquico. O adoecer e a
reorganização da psique tornaram-se uma possibilidade terapêutica que encoraja
o neurótico a superar seus conflitos, entre a pulsão e a saúde psíquica, ao
trazer a luz os impulsos inconscientes reprimidos ou recalcados. O adoecer do neurótico está vinculado
a uma situação patológica de frustração das pulsões e repressão da libido,
sendo assim, o adoecer é consequência e não a causa de um transtorno
patológico. Causas prováveis de neurose são, em geral, rigidez moral que causam
recalque na infância, frustrações, falta de amor, desestrutura familiar, rigidez
ética imposta pela sociedade. A repressão e mecanismos
coercitivos da sociedade são fomentadores de conflitos, por exemplo, a libido
versus ideal acético. E assim se instala uma luta entre dois impulsos gerando a
doença ou neurose. Não vamos aqui confundir a luta entre duas polaridades que
acontece na hora em que o indivíduo tem que fazer uma escolha, mas sim entre o
ego e aquilo que muitas vezes ficou recalcado no inconsciente, uma verdadeira
luta entre a doença e sua causa. A luta só pode ser vencida quando os dois
oponentes se encontram em campo de batalha, onde um pode ver o outro, a luta
acontece no consciente. E assim a neurose e sua causa se encontram para a
solução do conflito instalado. Desse confronto surge, de alguma forma, uma
solução para o neurótico. Uma luta consciente da causa e seu subsequente
efeito. A psicanálise se esforça em
compreender o Eu na sua luta pelo desenvolvimento. O recém nascido não se
diferencia da mãe, não separa seu eu com o mundo exterior. Quando pela primeira
vez ele percebe o mundo exterior é pelo desprazer quando é retirado o seio da
mãe. O seio é o primeiro objeto que separa o recém nascido do mundo exterior.
Uma luta constante do Eu com o desprazer leva o Eu ao isolamento de tudo o pode
levar ao desprazer. Surgindo assim um Eu que busca o prazer e foge do
desprazer. E assim chegamos aos dois princípios que regem o funcionamento
mental: o princípio de prazer responsável pelos processos inconscientes, e o
princípio de realidade responsável pelos processos conscientes. O principio de prazer
é um direcionamento de energia ou de descarga punsional que tem por objetivo a satisfação
ou o prazer. Tendo em vista o principio de realidade, nem sempre o principio de
prazer atinge a satisfação desejada, seja por conta de uma realidade de castração
na infância, de uma realidade sociocultural ou moralismo. O principio de realidade
se manifesta na censura interna que impede o sujeito a desobedecer a questões éticas
e morais para atingir a satisfação e desejos internos. O princípio de prazer descrito
por Freud direciona a ação psíquica e orgânica para atingir um prazer idealizado.
Enquanto isso o princípio de realidade se manifesta na relação sociocultural e na
formação de conceitos morais e éticos, onde o indivíduo passa a respeitar os limites
impostos pela moralidade. No princípio de realidade a moral controla o princípio
de prazer.
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